Para Minha Amiga

Claro que a imagem é uma ilustraçao mentirosa de nós duas!

Sinto sua falta minha amiga querida,

Que em tardes e noites me trazia sorrisos,

Que quando minhas lágrimas escorriam,

Chorava junto comigo.

 

Sei que não ficará por muito tempo longe,

Mas isso não significa que eu não sinta falta,

De nossos sonhos além do horizonte,

Ou das nossas melodias compostas em flautas.

 

Tenho tanto para contar,

Várias fofocas sem conta,

Queria que estivesse aqui para escutar,

Todos os acontecimentos de minha vida malandra.

 

Eu desejo apenas que esteja feliz,

Que não se perca na mudança,

Que tudo esteja do modo que você quis,

E que eu também esteja em sua lembrança.

 



Postado por: Hedra às 22h12
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Ventos

São os ventos, ventos que no começo da noite balançam meu cabelo,

Ventos com um quê de antigo, um quê de mistério, um segredo escondido,

Velhos irmãos que sopram sem parar, levando e trazendo as ondas do mar,

Balançando as velhas teias de aranhas em meu quarto, ventos que trazem recados.

Ventos que provocam mudanças no tempo, ventos que sopram suaves,

Ventos fortes, grandes tempestades, ventos na manhã, na noite e na tarde,

Ventos de outrora, ventos de agora, esses que sussurram mensagens perdidas,

Que carregam palavras ditas, numa suave permanência de estar.

Ventos invocados, que trazem resultados, na textura complexa do desejo,

Ventos que sequer registraram, mas deixaram marcados, segredos em meu ser,

Ventos que jamais cessam, seja dentro de mim ou nas florestas, ventos que trazem você,

Estes mesmos ventos, que em outros tempos, esqueceram-se de ser.

Novamente trazendo a chuva refrescante num dia quente de verão,

Os pingos batendo contra a janela de meu quarto, este empoeirado,

Que em meu abandono sofrera as conseqüências do tempo e da poeira dos ventos,

Não importa o quarto tão bagunçado, imagem reflexa de meu ser, que importa são os ventos,

Que trazem para perto, um fio de cabelo, um pedaço de você.

Mas, que soprem os ventos, pois em meu tormento seriam eles a me acolher,

Que entre as cinzas, de um ego queimado, levadas pelo vento, deixaram de ser,

Assim como segredos desvelados dentro da madrugada, se perderam no ar,

No vento que naquela noite secou todas as minhas lágrimas ao passar.

E amanhã, quando a chuva finalmente se for entre a festividade do amanhecer,

Com todas as lágrimas escondidas por um sorriso, simples, sincero e nítido,

Quando outros ventos soprarem e eu estiver acolhida na magia daquele momento,

Lembrarei risonha de todos estes ventos, que em rebentos e desalentos, me trouxeram você.



Postado por: Hedra às 23h18
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Que?

Não sei bem o que me toma, as vozes que sustentam o universo ou a insanidade que envolve meus pensamentos,

Se eu pudesse compreender de modo conciso todos estes sinais e se você estivesse dentro deles,

Que poderia eu esperar além que esta chuva por algum momento parasse de cair, ou do breve sumiço da tristeza que me toma hoje?

Um estado de sobriedade, neurose e beleza, ainda que você podendo apontar sorrindo todos os meus defeitos.

É engraçado de fato sentir-se traído e mais cômico sentir-se sozinho, uma tragicomédia desnecessária,

Um estado de calamidade tomando as formas, e talvez fosse somente Loki passeando pelo meu quintal,

Ou talvez algum sorriso fecundo de algum deus despreparado tomado por uma brincadeira infantil,

Trágico, figurativamente trágico, entre um tormento e outro, entre um escombro e outro, alguém ainda pode ouvir rugir o gigante.

Se na infelicidade de ter olhos mágicos, eu pudesse atentamente apaixonar-me pela bela face delicada da destruição...

E se meus sorrisos fossem ecos de velhos sonhos, ainda que apontando o novo horizonte, quem dos velhos que ficam?

Há um sentido desfigurado na tela de meu inconsciente hoje, talvez haja velhos traços repentinos aparecendo,

Numa desorganização mental, um ordenado de palavras conflitantes, que me faz de fato ser pouco, mas terrível.

Se as próprias palavras me fogem, como se tudo por um momento tivesse um enorme terror de meu ser,

Como se eu fosse inexplicavelmente a grande criadora e destruidora desse próprio conto de horror,

E que fosse somente minha imagem no espelho a causa de toda esta destruição e ignorância,

Ainda que distraída, eu não poderia de fato entender tudo o que você está me mostrando.

Escrever me parece mais desnecessário que entender, ainda que viver fosse o meu maior tormento,

De belos sapatos, delicado, saltitante deus de horrores e desavenças, que poderia eu fazer para acalmar-te?

Mesmo que eu pudesse te fazer todas as oferendas, mesmo que eu pudesse te dedicar parte do meu tempo,

Que poderia eu fazer para acalmar-te?



Postado por: Hedra às 18h10
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