Morte

Oh, deuses eu tenho a chave, a chave que abre todas essas portas,

E eu sinto medo, como que se a morte dançasse suavemente ao redor,

E eu permaneço assustada, porque me entregaram a chave,

E eu permaneço calada, porque nada saberia dizer de morte.

Sei que ela dança, numa dança cósmica maravilhosa,

Não, não me faça temer esta dança agora, não me faça voltar,

Porque mesmo quando todos os sorrisos se apagam,

A musica eterna jamais pára de tocar, enquanto a morte dança...

E com as mãos trêmulas abro a primeira porta,

Um terror parece fluir de dentro do meu ser para fora,

Todo o universo grita extasiado, todo o universo aterroriza-se,

Porque eu em meu terror sequer movo meus dedos, e a morte dança.

Abro a segunda porta, eu lhe explicaria detalhadamente tudo o que eu vejo,

Mas, minhas lágrimas em meio à surpresa de saber o que vejo,

Atrapalham meus lábios entreabertos e as palavras fogem,

Eu contaria se houvesse palavras pra descrever, enquanto a morte dança.

A terceira porta e já não sei mais para onde estou indo,

O silêncio desta sala, me faz acreditar num universo maluco,

Somente observo o mar silencioso e profundo, à noite a cantar sonhos tristes,

Nenhum sentimento é traduzido em palavras, só o silêncio... e ela dança.

Eu estou com medo novamente, parece que vejo tudo em dois,

Todos os dois completamente diferentes do um, eu estou me questionando,

Eu estou louca, e a morte que via dançar me parece vida,

Eu não estou mais entendendo, eu estou despencando, eu enlouquecerei.

Você pode perceber todos os sinais sem questionar sua validade?

Você pode notar que a morte jamais para de dançar uma música eterna,

Eu temeria não entender, temeria em seu lugar se não tivesse visto ela,

Mas, eu agora percebo os sinais, eu percebo os sinais... deixe me dançar,

Deixe me dançar mais uma vez, a dança da morte...

Lágrimas, dor, desespero... Silêncio, ah, eu estou viva... Ou morta?

Tanto faz, já não há diferença, eu simplesmente sigo os passos,

Mexo meu corpo de acordo com a melodia, eu vejo todos os sinais,

A morte dança abaixo de mim e ao redor de mim e eu sorrio.



Postado por: Hedra às 18h52
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Viver? Part 1

O que esperar de uma menina que ainda insisti em escrever ao invés de caçar coisa melhor para fazer?

O mundo realmente dá varias voltas num mesmo lugar e eu acho que estou com vontade de ir um pouco mais longe,

Um estado quase doente de preguiça se instalou em mim e ainda assim quero ir um pouco mais longe,

Mas, acredito que cedo ou tarde, se é que eu devo pensar num tempo linear neste momento, algo de muito estranho irá acontecer.

Ah me deu uma pequena vontade de rasgar sua pele e fazer com que você sinta um pouco da dor que eu senti,

Embora eu me curei da doença que tinha ao acreditar em todas as suas mentiras, não nego que pensei a respeito,

E sua capacidade de criar ilusões além desta realidade tão conhecida não me parece neste momento muito maior que a minha,

Mas de qualquer forma, eu permanecerei aqui, com a coluna rente ao encosto da cadeira enquanto meus dedos deslizam pelo teclado.

Eu não sei bem se eu estou disposta a acreditar em amor, embora amo amar o amor e toda a sua inspiração,

Acho que de uma forma ardilosa voltei novamente ao centro e o que tiver de acontecer vai acontecer, hoje ou amanhã,

Eu não posso decidir por todas as coisas, decido simplesmente por mim, mas não sei bem se a esta casa eu retorno,

De um modo muito simples, acho que eu estou decidida a viver a vida em sua forma mais ordinária, eu devo ganhar algo com isso.

Tem momentos em que me paro pensando no que eu quero para minha vida e em tudo o que desejo almejar,

E nestes momentos muitas vezes eu acho que a vida é muito sem sentido, que viver é louco demais pra entender,

Talvez viver seja encontrar um homem realmente puto, amar ele de todas as maneiras possíveis, ter filhos pra deixar a herança,

Realizar os projetos malucos que passam pela cabeça e esquecer por muito tempo quais os motivos pra isso tudo.

Os piores são aqueles momentos que você se sente meio incapaz de realizar estas coisas simples,

Principalmente quando você deseja muito elas, então se sente frustrado, se sente despedaçado e fraco,

Isso parece ter um motivo enorme para você, você deseja isso de todas as formas, tenta por todos os meios,

Na hora que você se cansa e manda tudo isso se danar, então é que as coisas simplesmente acontecem.



Postado por: Hedra às 06h56
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Viver? Part2

Puta que o pariu! Que vida irônica!

Acho que hoje estou sem paciência para pensar nessas coisas todas, de saco cheio de tentar ver todas as respostas que deram pra isso,

Eu me entregaria hoje a todos os prazeres do corpo, sem sequer me lembrar que eu poderia ter uma alma,

Eu me daria sem reservas a qualquer coisa, pelo simples prazer que eu tenho em me dar a algo,

Acho que eu permaneceria horas e horas ouvindo uma musica pelo simples prazer de ouvir e talvez agora eu estaria realmente vivendo.

Não quero sonhar, não quero fazer planos, eu não quero mais pensar nas coisas que tenho para realizar,

Eu quero que tudo isso se dane, só por hoje eu me darei o luxo de dançar a noite inteira, deixando a musica me perseguir,

Só por hoje eu farei tudo o que eu achei não ter sentido simplesmente por me dar o luxo de fazer,

Por hoje eu me retirarei dessa rotina doentia e me enfiarei num buraco novo que eu ainda não conheci.

É! Até parece que eu resolvi fazer algo de diferente!

O sarcasmo e a distração são a alma do negócio, me sinto divertida hoje, estranhamente eufórica,

Não vou pensar em tristezas, nem em meus medos, não pensarei em sonhos coloridos e nem num mar profundo,

Hoje serei superficial, serei um pouco mais de mim e um pouco mais de nada e meus olhos se perderão além do futuro que eu desconheço,

Será bem melhor se alguém vier comigo, prazeres são tidos em grupos, como lobos que nunca estão realmente sós.

Enfim, acho que eu desejo ser um lobo hoje!

 

Ouvindo Fatal Tragedy de Dream Theater

 



Postado por: Hedra às 06h55
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Encantado

Se dentro do escuro eu conseguir enxergar minha própria luz, é sinal de que terras desejadas eu encontrei,

Se no silêncio eu puder nitidamente ouvir meu murmúrio e entender cada lamentação, eu realmente aprendi,

Se minhas lágrimas trazem o inverno para mim, eu ainda tenho esperanças do sorriso e alegria do verão,

Se diante de meus olhos o mar se mostra exuberante e vivo, sei que nunca me faltará alimento.

E mesmo quando estou calada, os deuses podem ouvir minhas preces, e mesmo quando longe, posso estar perto,

E enquanto a chama da vela crepita, em meu coração iluminado cresce e aflora a beleza do encantado amor,

Se de meus sonhos soam canções, em todos os mundos sua melodia é ouvida e em todos os ouvidos há paixão.

E na manhã enquanto os pássaros cantam anunciando um novo dia e uma nova luz, eu sussurro em seus ouvidos,

Dou-lhe a inspiração necessária que sobe do perfume do incenso e escrevo linhas serenas dum amor jovem,

Puro como a água que salta alegremente da fonte, suave como uma brisa fresca numa tarde quente de verão,

Forte e resistente como uma enorme e velha rocha, belo e delicado como um jovem broto de rosa no jardim.

E meu chamado corre além do tempo, corre com o vento em sua direção, teus ouvidos são tocados pelo canto dos pássaros,

Seus sonhos são adornados de cores suaves e felizes, cores que expressam a beleza dos véus suaves de uma deusa,

Meu afago delicado traz para ti o sorriso das noites de primavera com a lua cheia a iluminar a terra,

Como lobos seremos a correr pela noite com os sonhos delicados do arco-íris e o som da chuva fecundando a terra.



Postado por: Hedra às 07h28
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O Canto do Pássaro

Eu estou parada diante da noite, com animais da mais estranha espécie a me rodear, um calafrio,

Meu sorriso parece frio e procura em alguma parte do céu um abrigo, para esconder-me de  encantos,

E enquanto calada observo o céu, ouço minha respiração e as batidas do meu coração ecoam por todo o lugar,

Eu estava quieta e silenciosa, eu estava somente sentada numa manhã fria a conversar com meus delírios.

De súbito postou-se diante de mim, como um enorme pássaro, com surpreendente cor e suaves nuances,

Ouvindo os sinos de uma velha e pequena igreja soando a esta hora da madrugada, sinto que eu estou em qualquer lugar, menos aqui,

Mas, você de um modo peculiar está diante de mim, observando cada reação minha, observando esta dor que nasce,

Sem qualquer motivo aparente, acho que diante do que eu sinto estou numa estranha meditação que me leva a outra dimensão.

Os espíritos se agitam dentro da floresta diante de sua presença, mas no fundo eu entendo que o que temos aqui é o que sempre tivemos,

E mesmo que neste momento eu não posso entender porque as estrelas resolveram cair do céu, sentindo medo,

Lanço-me em seus braços como que se fosse meu único terror e meu único refugio, o abrigo de minha juventude,

Não me importando no momento de fato o que quero dizer com tudo isso, eu e você imersos ao mar, imersos ao silêncio da noite. 

Num profundo silencio sinto seu toque; e teu grande pássaro tornando-se o homem que é, sinto terror e me sinto abrigada,

Como que se meu coração tivesse sido acalentado dentro de teu peito e parte tua fosse somente minha agora,

E enquanto nos olhamos fixamente, perseguindo estrelas em nossos olhos, não posso atentar-me ao movimento em nossa volta,

E minhas lágrimas caiem, enquanto que meus sentimentos não encontram um repouso seguro nesta escuridão que se instalou.

Mas, você com sua bela forma e olhar amoroso, me acalenta em seu braço e me leva para um lugar ainda mais quente,

Longe deste medo que parece querer sufocar-me tirando toda a réstia de vida que me resta, tirando minha luz,

Como que se num simples e obscuro momento, de monstro você se tornasse meu salvador e a esperança surgisse com um sol imaginário,

Inerte em seus braços, tentando esquecer-me de todas as dores que a vida já me proporcionou, me sinto viva agora.

Então me diga somente por um momento que eu não estou sonhando e que você é real, você é este sorriso confortador,

Diz qual a razão de estarmos aqui inertes imobilizados pela força de nosso desejo, com este sentimento forte nascendo em nossos peitos,

E em qualquer lugar que formos, estaremos cada vez mais perto desta força que nos une, desta magia que nos arremessa para longe de nosso tempo,

E então talvez poderemos entender o que realmente representa este momento e meus deuses nos indicarão o melhor caminho.

E se acima de você, um enorme arco-íris surgir, você poderá compreender de que é teu o meu reino,

E se uma enorme montanha abrigar tudo o que trazemos dentro de nós e pedras saltarem do nosso caminho,

Entenderemos profundamente qual o sentido que nos move dentro desta turbulência que nomeamos de vida,

E se amanhã eu retornar para minha casa e notar que eu sempre estive certa, eu saberia uma única vez agradecer os deuses.



Postado por: Hedra às 06h33
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Caos

Enquanto tento de uma forma lúcida lutar contra todos os monstros que tentam roubar minha sanidade,

Vou deslizando numa linha tênue que separa a realidade da ilusão, não sei exatamente onde é que estou,

Somente deixo um sentimento tumultuado tomar conta de meus impulsos e enquanto te observo em silêncio, alguém chama meu nome,

Eu tento prestar atenção à voz que ainda permanece gritando, mas não consigo pensar em qualquer outra coisa que não seja você.

Embora a cada vez que olho seu rosto, sinto um desejo louco tomar conta de todo o meu ser fazendo perder a noção de minha limitação,

Também entendendo o quanto estamos longe; e mesmo sentindo você por perto me rodeando e me observando,

Sei que tenho que ficar aqui sentada na areia da praia esperando que os deuses lhe tragam novamente até mim,

Hoje eu falei com você, eu pedi de manhã para que viesse ao meu encontro e você veio, eu não pude conter as lágrimas.

Mas agora enquanto dorme em sua cama, sinto-me tranqüila e penso que esta tranqüilidade acabará assim que abrir seus olhos,

E enquanto eu estiver dormindo sei que seu rosto povoará meus sonhos inquietos, como uma nuvem que passa e torna a voltar,

Eu pergunto no profundo de meu ser quem é este que me atormenta e desperta em mim desejos incontroláveis,

E eu ainda pergunto o que é que eu realmente sinto por este ser que me desperta um tormento tão grande.

Não sei porque me sinto triste, na verdade acho que estou assustada com toda esta situação caótica que encontra meu ser,

Eu já nem sei mais quem eu sou, eu somente sei te desejar e querer estar com você, adormecendo em seus braços,

Sendo acolhida silenciosamente por seus beijos, como se estivéssemos eternamente num jardim perfumado,

E a insanidade parece reinar enquanto olho seu rosto e me sinto fraca sem poder resistir ao seu sorriso, maligno sorriso.

Será que pode ouvir meus gritos dentro desta noite fria, enquanto busco incessantemente encontrar-te neste labirinto?

Será que você pode sentir um pouco disso tudo que eu sinto, tendo esta certeza de que finalmente nos encontramos após tanto tempo?

Porque eu ainda temo ser somente uma ilusão, algo que brotou em meu ser sem qualquer causa aparente,

Decorrente da falta de tato e raciocínio lógico, me sinto enfeitiçada, um animal sentimental entregue aos seus desejos egocêntricos.

Eu me entrego calada, jogo me dentro do abismo que se abre diante de mim, sem sequer levar algo nas mãos,

E é ainda mais engraçado saber que sinto sua falta, como se fosse peça fundamental para minha existência e sequer te amo,

Calafrios percorrem todo o meu corpo e tento não deixar que o mar me trague levando para onde jamais conseguirei voltar,

E enquanto tento entender tudo o que se sucede em minha mente e sentimentos, perco me dentro do que penso ser você.



Postado por: Hedra às 05h03
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Entendendo

Se eu estivesse agora sentada solitária numa mesa de bar com um copo de cerveja na mão, eu brindaria algum deus,

Continuaria solitária esperando que do nada algumas respostas surgissem na minha cabeça, entre elas uma pequena noção de onde você está,

Acho que isso teria feito diferença em algum lugar do meu passado, mas não sei se hoje ainda faz,

De qualquer modo, eu estou triste e desejosa de mais alguma coisa que ainda não sei o que é, embora pense que é você.

Os céus se abrem diante de meus olhos, como se houvesse não somente lá fora uma imensidão, mas também aqui dentro,

No espelho os olhos vermelhos de uma alergia qualquer toma uma forma selvagem, como um sentimento explodindo,

Eu não temo toda esta hostilidade, eu sequer a entendo, é como entrar num território nitidamente conhecido, mas interiormente negado,

É como ler a sorte em algumas pedras e um sorriso sarcástico estampar-lhe o futuro dentro de uma casca de noz.

Então eu me vejo dentro de um circulo rodeada de deuses, todos eles, deuses bons e ruins, deuses que antecedem minha essência,

Eu me vejo estirada esperando algo vir até minha cabeça e criar uma inimaginável explosão de luz e entendimento,

Talvez com isso eu enriqueça não somente o que eu entendo como vida de um modo simplista, mas também o que compreendo como ser,

E talvez eu também compreenda tudo o que até hoje eu sequer pensei poder compreender, de um modo mais místico.

De qualquer forma, enquanto danço com elfos em algum bosque ou mesmo nesta enorme floresta que habito,

Eu sinto que algo muito além de minhas forças, vem movendo um mundo enriquecido e também um lugar onde sempre quis estar,

Acredito que as formas vazias que hoje possuem meus dias sombrios, tem de certo sido como uma força fazendo me ansiar por dias melhores,

Num estado mítico de luzes defasadas, um olhar cuidadoso desta situação e entretenimento, me levaria a uma nova forma de existência,

E talvez, quando eu novamente abrir meus olhos para algo além do que me permiti o mar ver, eu subitamente esteja vivendo uma outra vida.

Porém, eu ainda permaneço neste estado, imersa a dor que eu sinto e ao frio que vem congelando meus sonhos,

E a realidade parece ter perdido de alguma forma o sentido e a vida ser algo bem mais simples do que eu pensava ser,

Embora eu ainda não soube parar de ansiar por coisas maiores e mais dignas, eu ainda me mantenho calada esperando,

Talvez quando o sol tornar a surgir e os pássaros anunciarem a vida matutina, eu entenda que tudo isso pode se tornar bem maior.

É complicado demais entender estas linhas, ainda mais complicado entender toda esta frustração que eu estou sentindo,

Eu queria que tudo se resolvesse no minuto seguinte, embora eu compreenda que a semente de melhora que eu plantei,

Levará certamente um tempo até que se transforme numa grande árvore, mas ainda estou pensativa e torno a voltar no passado,

Onde várias outras sementes foram plantadas e eu não acredito que elas tenham morrido sem germinar,

Por isso eu ainda permaneço aqui, parada a observar tudo o que se forma diante de mim, acredito que seja somente o começo ainda.

O começo...



Postado por: Hedra às 01h25
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Onde eu fui parar? Part 0

Desperto numa manhã fria, olho ao redor meu quarto, seguro, velho e conhecido quarto, então abro a janela para que a luz do dia penetre e um ar novo sopre trocando o ar velho do quarto, quando espantada noto que não há mais nada do que eu conhecia aqui e quando saio do quarto, noto que não estou na mesma casa que estava sempre, então num ímpeto saio da casa.

-         O que aconteceu com o mundo? Cadê as coisas que estavam aqui ontem? Onde estão todas aquelas velhas pessoas?

Sento no chão e coloco-me a chorar, confusa com aquela manhã que eu pensei não estar pronta pra viver, há magia por todo o lugar e penso que estou tendo alucinações, devo estar dentro de algum surto psicótico. Retorno para dentro da casa e sento na cama prestando atenção em minha respiração, tentando me controlar. O ar entra e sai, entra e sai, enquanto meus pensamentos repetem a todo tempo: “é preciso se acalmar, preciso me acalmar”. Novamente abro os olhos e senti que as alucinações estavam piorando, pois aquele não era mais meu velho e conhecido quarto, que eu estava até sair da casa. A porta se abre e um homem alto de uma beleza sem igual adentra com naturalidade, abre a porta do guarda-roupa pegando algo para vestir, virando-se para mim enquanto ajeita a gravata no pescoço diz esboçando um belo sorriso:

-         Bom dia, querida. Dormiu bem?

Querida? Eu? Eu queria somente por um momento saber o que estava acontecendo na verdade, então vejo sobre o criado-mudo uma agenda telefônica, a letra é minha, alguns nomes de amigos conhecidos, outros nomes que não me recordara de ter visto na vida, olho para o livro que estou lendo e noto que o assunto é o mesmo que gosto, um gato salta em meu colo miando e acariciando minhas mãos com a cabeça, mas eu não tenho gato. O homem diz da cozinha:

-         Querida, deixei o dinheiro do condomínio em cima da mesa. Se tiver tempo, passe no banco e pague o boleto pra mim, por favor.

-         Condomínio? Não vivo numa casa?

Ele aparece na porta e diz:

-         O que você tem? Sua memória anda mesmo péssima, devia ir ao médico pra ver o que é isso. E você vive numa casa, porém no décimo segundo andar e bem pequena também. É apertada para nós três.

-         Três?

-         Oras, esqueceu do gato também? Acho que comprarei aquele energético pra você hoje, está estressada demais com o seu serviço.

-         Minha nossa! Mas, eu estou desempregada!

-         Desde quando? Te demitiram ontem e você não me contou?

-         Eu estou confusa! Não sei quem é você, não sei onde estou e nem conheço este gato. Eu estou desemprega há algumas semanas e não sei o que está acontecendo. Simplesmente acordei nesta casa, com você falando para eu pagar o condomínio, que estou num apartamento e que eu estou estressada.

-         Você bateu a cabeça, foi? Não, não deve ter batido, a não ser que caiu da cama à noite. Você caiu da cama, meu amor?

 -    Eu não sou seu amor! Eu nem te conheço!



Postado por: Hedra às 06h00
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Onde eu fui parar? Part 1

-         Como não? Nós vivemos juntos há mais de um ano! Tudo bem. O que foi que eu fiz de errado dessa vez? Não me lembro de sair com meus amigos há meses sem que você não deixasse, não deixei toalha molhada em cima da cama, nem cueca jogada no chão do banheiro, não quebrei nenhum vidro de perfume seu e sequer me esqueci do seu aniversário. Não te xinguei, não te impedi de sair, não emprestei seus cds sem pedir... – Parou pensativo: - Não tem nenhum telefone de mulher no meu celular e nunca mais comparei você com minha mãe desde o nosso namoro. O que é que eu te fiz então?

-         Você não me fez nada!

-         Então por que está esquisita?

-         Eu não estou esquisita, eu só não te conheço. Eu deveria te conhecer?

-         Claro. – falou ele num tom alto de voz e surpreso: - Nós dividimos o mesmo teto há mais de um ano, você dorme comigo todas as noites e dividimos as tarefas da higiene do gato. Como não nos conhecemos?

Comecei chorar. Havia dormido sozinha em minha casa, em minha cama conhecida, não tinha nenhum homem maluco falando que morava comigo na noite anterior, muito menos um gato peludo miando em meus braços e eu sequer morava em apartamento. Como a vida mudou de repente da noite pro dia, sem que sequer eu percebesse? Isso me atormentava por demais. O homem se afastou pegando o telefone avisando que eu não estava bem e que me levaria ao médico, fez uma nova ligação e disse a mesma coisa. Pegou algumas peças de roupas, colocou em meu colo e ordenou:

-         Se troca, que eu te levarei no médico pra ver o que está acontecendo!

-         Sim. – fiquei esperando ele sair.

-         Você não vai se trocar não?

-         Com você aqui me olhando, não mesmo.

-         Desde quando tem vergonha de mim?

-         Desde sempre, eu nunca te vi mais gordo.

-         Você está mesmo mal ou resolveu fazer algum curso de teatro sem que eu soubesse e está tentando me deixar preocupado. Pode ser isso mesmo! Vai ver não estou te dando a atenção que você merece. Não estou sendo um bom marido, meu amor? Me perdoe se eu pareço ausente, é que tenho estado cansado demais do serviço, mas mês que vem isso será resolvido com minhas férias e então voltarei ao normal.

Fiquei olhando pra ele continuando sem entender nada. Ele sentou-se na cama, segurando minha mão e dizendo:

-         Não queria fazer isso com você, não queria não ter te dado á atenção que você merece...

E continuou que não queria isso, que não queria aquilo, que não tem sido mesmo um marido atencioso e eu somente observando tudo aquilo, estava começando a ficar engraçado demais pra mim e não agüentando segurar, dei uma longa gargalhada, eu não conseguia parar de rir. Ele indignado levantou-se, prendeu o cabelo comprido, num tom alto de voz, disse:



Postado por: Hedra às 05h58
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Onde eu fui parar? Part 2

      -         Eu aqui todo preocupado, tentando explicar minha ausência e você rindo da minha cara? Você perdeu o juízo, mulher?

-         Desculpe. Mas, é estranho ver você se explicando, dizendo suas falhas comigo, que vai reparar todas elas e eu nunca te vi na vida.

Impaciente, levantou-me pelo braço e disse:

-         Veste logo estas roupas e vamos para o médico!

-         Você não vai sair?

-         Não. E anda logo com esta troca de roupa!

-         Não vou me trocar se você não sair daqui!

-         Então você vai de pijama pro médico, porque eu sou seu marido e você nunca teve vergonha nenhuma de mim! E anda logo que eu estou perdendo minha paciência com você!

-         Será que você tem mesmo razão? Será que eu estou louca e que sou mesmo tudo isso que você disse que eu sou? Será que você é real? – dou um beliscão nele.

Ele solta um grito de dor e diz em seguida: - Sou real, porra! Você está me vendo!

-         Então sou eu mesma que estou no lugar errado! Será que eu posso viajar pro futuro ou pro passado?

-         Isso eu já não sei, eu só sei que eu tenho que te levar ao psiquiatra antes que isso fique pior!

-         Eu estou louca, é isso? E agora?

-         Não fique triste, meu amor. – disse ele me abraçando sensibilizado: - Não importa o que aconteça, você vai fazer o que o médico disser que temos que fazer e eu vou cuidar de você, mesmo que eu tenha que pedir pra adiantarem minhas férias. Vai ver como passaremos por isso e amanhã nada mais estará assim. Tudo vai passar, se acalme.

-         É. Pode ser. Agora saia do quarto que eu vou me trocar.

-         Tudo bem, eu saio, você venceu. Mas, anda logo.

Depois que me troco saio na sala, ele me pega pela a mão e seguimos em direção ao médico, ele liga o rádio do carro, uma música conhecida, coloco-me a cantar. Entramos então no consultório, esperamos um pouco até que o médico me chama, entramos nós dois na sala do médico, ele logo pergunta:

Postado por: Hedra às 05h56
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Onde eu fui parar? Part 3

-         O que aconteceu?

-         É o seguinte, doutor. – o homem poe-se a falar: - Minha esposa deitou-se para dormir comigo ontem à noite, estava tudo normal, dormimos abraçados e quando ela acorda diz que nunca me viu, nunca viu o gato, não sabe que mora num apartamento há mais de um ano comigo, ri e chora por nada.

-         Quero ouvir a paciente.

-         Doutor, ontem eu dormi na minha casa, sozinha, em minha cama, não tenho marido, nem gato, nem emprego e não moro num apartamento, a casa que eu dormi é térrea e eu nem estava namorando, sequer casada. Então acordo num apartamento, com um louco mandando eu pagar o condomínio, um gato gordo e peludo subindo no meu colo e eu não sei o que está acontecendo. Só queria acordar na minha casa.

-         Hum. – disse o doutor pensativo: - Você deve estar sofrendo com alguma perca momentânea de memória. Você sabe quem você é?

-         Claro que eu sei, tenho vinte e três anos, pai, mãe e irmãs, não possuo nenhum animal e nem marido.

-         Você tem vinte oitos anos, querida! Completou na semana passada! Viu como ela não está bem, doutor? Ela nem sabe mais a idade que tem!

-         Em que ano estamos?

-         2009. – respondeu o médico.

-         Não é 2005?

-         Não. – respondeu o médico

-         Será que eu fiquei dormindo todo este tempo e só agora acordei?

-         Não. – respondeu o homem.

É. Então tem algo de errado mesmo. – eu conclui

-         Vou te passar esses medicamentos e você fará alguns exames cerebrais para ver se sua memória foi realmente afetada, ou se somente está passando por algum forte stress psíquico.

-         Ah, tudo bem! Está todo mundo falando uma coisa e só eu outra, deve estar mesmo havendo algo de errado comigo.

-         Preciso do resultado do exame com muita urgência, enquanto isso te atestarei dez dias para ficar afastada do serviço e então vendo do que realmente se trata e se não melhorar com a medicação começaremos um outro tipo de tratamento. Ela precisa ficar na companhia de alguém, ao menos enquanto não sabemos o que está acontecendo.

-         Eu fico com ela. Somente preciso atestar estes dias para não ser demitido.

-         Tudo bem, faço um atestado para você também. Qualquer coisa pode entrar em contato no meu celular que está anotado aí no receituário.

      -     Ta. – respondeu o homem.

Postado por: Hedra às 05h54
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Onde eu fui parar? Part 4

Nós voltamos para o apartamento, ele então ligou para algum lugar para marcar meu exame, enquanto que eu fiquei sentada no sofá fumando e olhando para a janela. Ele me olhou silencioso, havia amor e piedade em seu olhar e então notei o quanto era bonito, acho que eu o namoraria, se já não estivéssemos casados. Curiosa eu perguntei:

-         Me diz aí, como foi que a gente se conheceu?

-         Você estava com alguns amigos seus quando nos vimos, então eu me sentei na mesa ao lado com meus amigos e ficamos trocando olhares, até que você se afastou de seus amigos e ficou me encarando, tomei um gole da minha cerveja e criando coragem fui falar com você, depois disso nos encontramos mais algumas dezenas de vezes até que eu te pedi em namoro e então continuamos e quando vimos que haviam diminuído nossas brigas resolvemos morar juntos.

-         Que bonito!

-         É sim.

-         E como aconteceu com o gato?

-         Como assim aconteceu?

-         Quando pegamos o gato?

-         Um dia você me disse que sentia muita falta de ter um bicho de estimação, perguntei se gostava de cachorro, disse que sim, mas que preferia gato, então estava no serviço até que meu amigo disse para eu ir com ele buscar o gato que ele havia ganhado na casa de uma mulher, que era de raça e tal. Eu levei ele de carro lá e a mulher disse que ainda faltava um para ela dar, se ele não conhecia ninguém que queria, então achando o gato bonito e me lembrando de você peguei o gato e te trouxe de presente.

-         Você é sempre atencioso assim comigo?

-         Acho que... – parou pensativo: - Isso é você que teria que responder. Mas, não se lembra de mim. Sim, eu sou sempre assim com você.

-         E por que não temos um filho?

-         Ah, porque você não quer filho agora. Diz que quer me curtir mais.

-         E você não quer também?

-         Eu quero, claro que eu quero. Mas, tem horas que eu acho que você tem razão, a gente gosta de sair a noite, beber, ver nossos amigos. Gostamos de viajar no final de semana e de fazer várias outras coisas que uma criança muito nova iria nos impedir de fazer.

-         Vou dormir.

-         Dormir?

-         Sim, não tem nada de melhor pra fazer e eu ainda estou muito confusa com tudo o que está acontecendo, além do que, quem sabe eu não durma e acorde novamente na minha cama, sem existir você e o gato.



Postado por: Hedra às 05h52
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Dois Mundos

Aqui de pé neste lugar mágico, posso observar cada nuance diferente de uma mesma cor, daqui posso ver além,

Neste lugar onde visualizo um céu azul com pássaros à anunciarem o amanhecer de um outro dia,

Posso ver um pouco além do que normalmente minha visão me permite ver, um oceano que me separa do que almejo encontrar,

Um mar furioso com ondas enormes, sopradas pelo vento gelado que vem do norte, um senso de realidade.

E na outra margem está você vivendo num mundo de sonhos, distante desse caos que se instala em mim,

Talvez você não possua nenhum medo que te assole durante a noite, ou sequer se importa com ele,

Você está vivendo sua vida, sem sequer notar que tem o poder para fazer dela uma outra coisa diferente,

E eu te abençôo por não conhecer isso, é uma dádiva admito, mas também uma maldição!

Uma mudança de 180 graus e estamos juntos finalmente, uma estranha sensação de tudo e nada, estou nauseada,

Então em seu mundo de sonhos noto todas as nuances suaves que completam este estado de contemplação,

Tudo parece perfeito, cada detalhe profundamente examinado, nada pode sair dos eixos sem que perceba,

Um senso de ordem, organização enraizado em seus dias, em você toda a disciplina, o cuidado, um mundo realmente perfeito e calculado.

As cores são suaves, o mar calmo, a cidade parece funcionar tranqüilamente como sempre funcionou,

O mundo realmente parece ter tomado outra forma, só há beleza diante de meus olhos, uma obra de arte,

Ouço então a música no ar, a melodia harmoniosa, as flores nascendo numa natureza exuberante,

Bem vindo ao seu mundo, é aqui que nasce o nosso sonho, bem vindo ao seu reino, moram aqui os senhores da perfeição.

Então, delicadamente pego em sua mão, levo-te para a outra margem, trago-te para minha vida,

E rapidamente você nota cada dissonância na melodia, você pode agora sentir o vento frio do inverno,

A realidade aqui é vista de uma outra forma, embora haja também alegria, minha terra esqueceu-se da perfeição,

A cada passo você pode notar uma cor diferente, há um sentido divino para todas as coisas, nada é por acaso,

Assustado você nota que há choro, que há momentos em que temos que nos esconder das forças furiosas da natureza,

Todo o frio que agora sente não é nem o começo do frio que está por vir, você pode sentir, você pode prever.

Você se desespera dentro da desordem tão intima minha, você se surpreende com as forças de seus instintos,

Não vim de modo algum para faze-lo despencar num abismo, mas para ensinar das coisas tão belas e obscuras,

Você não pode ser um rei sem que conheça todas as mazelas da vida, sem conhecer também a fealdade das belas coisas,

Sente-se protegido porque eu te guardo e te protejo, porque em cada toque meu você é abençoado,

Bem vindo ao meu mundo, aqui é onde os sonhos terminam, bem vindo ao meu reino, aqui moram as senhoras do amor.



Postado por: Hedra às 07h43
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Numa Noite Fria

Sinto tanto frio, que tensa numa busca inútil de me aquecer sinto meus músculos contorcerem,

Sinto dores por todo o corpo, um torpor que me deixa longe de onde quero estar,

Sinto que estou desabando em algum lugar onde jamais meus movimentos lerdos me salvariam,

Sinto muito, mas não há mais o que fazer, resta me somente fechar os olhos e descansar.

Então eu escuto passos ao redor, eu faço força para abrir meus olhos, mas não a tenho,

Então alguém me toca e me suspende ao ar, estou sendo carregada para algum lugar, mas nada vejo,

O calor do corpo de quem me carrega me dá mais um pouco de força, mais algum tempo de permanência,

Ainda posso ouvir seus passos apressados, ainda me resta um pouco de consciência entre os relapsos de inconsciência,

Uma porta se abre e imediatamente sou aquecida por panos quentes e deixada sobre uma cama ao lado de uma lareira.

Abro sorrateiramente meus olhos e um lobo me vigia deitado ao meu lado, como quem cumpre ordens,

Ajeito me ainda com dores e dificuldade nas cobertas deixadas por sobre mim, fechando meus olhos,

Ele então me balança e me estende uma xícara com algum liquido muito quente, olho então para o rosto daquele que salvara minha vida,

Silencio enquanto deixo o liquido amargo e quente descer por todo meu corpo, auxiliando em seu aquecimento.

Ele então se estica numa poltrona confortável e lança seu olhar para o livro, olhando me vez ou outra,

Inquieto-me, sinto grande curiosidade de saber quem era aquele que pode ouvir dentro da noite meus gritos de socorro,

Assusto-me com o lobo que se aconchega deitando-se colado em meu corpo, como se tivesse se habituado a minha presença,

Olho novamente para o homem, que generosamente me acolhe e ele diz: “Acalme, por muito tempo permanecerá aqui”.



Postado por: Hedra às 04h21
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A Praia

Se há ainda paz dentro de meu peito agora angustiado, esperando ver o que me traz o amanhã, esta paz está imperceptível.

Não que eu não sinta meu ser tranqüilo, mas ainda assim borbulham questões em meu interior,

Que parecem não encontrar respostas em lugar algum, questões que me remetem ao que sou hoje,

Não que eu me sinta também triste, mas me sinto perdida em meio ao mar de sonhos e projeções,

Enclausurado em meu próprio senso de realidade, meu espírito livre procura por vastidão para expandir sua consciência.

Abandono toda esta gama de pensamentos e corro de encontro ao mar, onde paro diante de sua imensidão,

Olho ao longe os navios que partem para uma terra desconhecida e sinto o forte desejo de estar dentro de um deles,

Sento na areia branca e deixo as ondas tocarem meus pés descalços, enquanto desenho um símbolo na areia,

Um símbolo que diz muito a minha alma e querer, um símbolo que diria mais sobre mim que mil palavras poderiam dizer.

Sigo caminhando na beira do mar, sem pressa, sem me preocupar com a vida que tenho para viver,

Sem me empenhar em criar novas metas, sem me empenhar em desejar alguma coisa nova, sem pensar em ninguém,

Simplesmente deixo o momento viver e morrer dentro de mim, a cada passo, sentindo a imensidão do universo pulsando dentro de mim,

Sinto-me como um pássaro que voa pelo céu claro de uma tarde de verão, sem nada que impeça seu vôo.

Ao longe vejo um homem belo e jovem, com cabelos compridos vestindo uma calça curta, jogando uma rede ao mar,

Curiosa penso em que peixes ele conseguiria pegar em lugar tão raso daquela imensidão e quando muito próxima paro para observa-lo,

Ele me olha desconfiado, sorrio para ele para mostrar que estou simplesmente a mercê da falta do que fazer,

Ele sorri em troca, como quem também não tivesse nada de mais útil para fazer naquele momento.

Percebo então que quer somente testar a rede que ele mesmo teceu, testar sua resistência, ver suas falhas,

Continuamos observando um ao outro, como que se tivéssemos nos empenhando em testar um ao outro,

Como que se quiséssemos naquele momento saber mais do que nossos olhos poderiam nos dizer,

Ele então me estende sua mão e nós passamos a caminhar pela praia, acho que eu deveria sentir medo, mas não sinto.

Então quando próximo de alguns rochedos onde as ondas batem com violência e força, respingando sobre nós,

Ele me entrega uma pequena bolsa com fios trançados, da qual eu imediatamente olho para ver o que há dentro,

E para minha alegria e surpresa, noto que ele me presenteava com um lindo colar de pérolas,

Eu o abraço em agradecimento, expressando minha alegria pelo presente e nos sentamos em silêncio para observar o mar.



Postado por: Hedra às 03h25
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Em Nome de Deus

Esse texto foi dividido em Quatro partes, pois o UOL possue uma limitação de caracteres no Blog, não permitindo textos muito extenso e isso torna-se um tanto pior quando usado negrito e itálico, por isso peço a compreensão e paciência para lerem todas as quatro partes!

Não consegui conter a raiva que senti ao ler tal texto na internet, do qual tirei apenas um trecho, onde o autor, declaradamente católico, denigre a imagem de todas as outras religiões e vertentes. Dane-se se com isso eu parecer “contra” a Igreja, pois eu acredito que as pessoas devem fazer aquilo que elas acharem melhor, assim também com sua fé, as pessoas acreditam naquilo que elas quiserem, mas este infeliz senhor não se contenta em acreditar pura e simplesmente em sua Igreja, ele tem que denegrir, deturpar as outras religiões e seus simbolismos, ele tem que alertar quanto à igreja dele ser a única correta, como que sem denegrir e demonizar  as outras religiões e crenças, sua Igreja não teria qualquer mérito como uma religião de bem e verdadeira, ele tem que encher as cabeças das pessoas e fazer todo o seu rebanho pensar que pagãos e todos os outros cultos que não sejam católicos são coisa do diabo, logo ele generaliza de um modo simples, de que todas as pessoas que não cultuam seu Deus fazem parte de um “clube” escuso e negro, são pessoas que existem simples e espontaneamente para fazer o mal a quem quer que seja!

Não ele não fala simplesmente do paganismo, ele detalha cada religião, ele deturpa cada filosofia, pensamento e ainda aponta a Era Negra da Igreja como uma virtude, um ato de valentia e fé para manter a “única religião verdadeira”. Então é completamente exato e não pecaminoso matar, desde que eu mate em nome de Deus! Se eu matar uma borboleta em nome de deus eu não estaria pecando, mas se o fizesse em nome dos deuses antigos eu estaria cometendo um ato pecaminoso que mostraria o quanto sou controlada pelo “diabo”? É certo então que a Igreja cometeu um ato heróico ao matar milhares de pessoas e usurpar seus bens, tudo porque usou o nome de Deus, se ela usasse o nome de Pan, por exemplo, ela estaria sob o domínio do Diabo e logo não seria heróico? Pense mais a respeito!

Transcrevo abaixo a obra-prima do supracitado acima retirada do site: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=apologetica&artigo=neopaganismo&lang=bra#1-2

 

 

(...)“Os deuses dos pagãos são demônios” (Salmos XCV. 5), nos diz a Sagrada Escritura, contrariando à alegação dos praticantes da Wicca de que eles não adoram ao diabo.

Apesar dos neopagãos proclamarem que sua religião remonta às antigas religiões pré-cristãs, a realidade é bem outra. Vários autores, dentre os quais alguns neopagãos, identificam como nascedouro de suas práticas religiosas o ocultismo, inclusive o ocultismo satânico (?), do século XIX e inicio do século XX, principalmente a sociedade Teosófica de Madame Blavatsky, a Sociedade Secreta Golden Dawn e a Ordo Templi Orients de Aleister Crowley, todas estas com matizes satânicos. (...)

 

PS: Embora Crowley e Blavatsky sejam conhecidos dentro do Ocultismo, assim como a Ordem Golden Dawn, nenhum desses citados aqui neste texto são pagãos, no sentido religioso que esta palavra pode ter (pessoas que cultuam os deuses antigos, Wicca, Asatru e todas as outras vertentes dentro do paganismo), isso denota claramente a falta de conhecimento do autor a respeito do paganismo e também ocultismo.



Postado por: Hedra às 04h04
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Em Nome de Deus Part II

(...)O Paganismo tem conseguido grande projeção e influência no mundo de hoje, principalmente por causa de suas afinidades e peculiaridades que o faz aderente à agenda política mundial, principalmente aquela defendida seja abertamente ou de maneira velada, pela ONU e, de uma maneira mais abrangente, pelas sociedades secretas.

A visão de um mundo paganizado ao mesmo tempo aterroriza e motiva aos católicos, pois recorda a perseguição e a coroa do martírio, que tantos suportaram com valentia e fé, com muita fé, nos primórdios da Igreja. Mártires católicos, que perante Roma pagã não compactuaram com sua moral decadente e não aceitaram a outros deuses e outras religiões que não a Igreja Católica do Deus Todo Poderoso. (...)

 

PS2: Para esta parte do texto do cidadão acima, deixo um outro texto escrito por X-Runner a respeito dos mártires cristãos (que eu não saberia escrever tão bem sobre) dada em resposta a uma outra pessoa dentro da lista de discussão da Gaia Paganus.

 

“ßran ap Llyr  escreveu:

[Mas os pagãos mataram cristãos à beça quando o Cristianismo estava nascendo e eles eram jogados aos Leões, ou aos ancestrais de cãezinhos como os Mastinos Napolitanos. Roma ardeu com cristãos sendo usados como tochas humanas.]

 

Essa é uma visão ingênua, descontextualizada, fragmentária e reducionista historicamente. Antes mesmo de se tornar religião oficial do Império Romano sob os auspícios de Constantino I, a igreja de Roma já tinha alcançado uma hegemonia predatória em episódios pregressos de intolerância e repressão contra membros da própria comunidade cristã. Desde o seu início, suas táticas de expansão promoveram o ódio para os desviantes e mortes sensacionalistas de seus devotos fiéis.

 

Constantino I apenas se aproveitou da índole preexistente da igreja fundada por Pedro e Paulo; os corruptores precisam dos corruptos. E neste caso é difícil estabelecer quem é quem. A igreja esperava ansiosa por um imperador como Constantino I para consolidar sua supremacia religiosa na Antigüidade tardia. Alguns imperadores anteriores foram simpatizantes ou até se converteram, mas não tiveram a ambição e a megalomania suficientes para servirem aos propósitos análogos dos detentores da cátedra de Pedro. Não procede a noção de que a instituição católica era pobre e sem recursos materiais antes da oficialização. Se já não tivesse posse de um poder expressivo e um significativo número de convertidos, Constantino jamais se interessaria por ela. E é interessante notar que durante sua vida ele não se converteu ao cristianismo. A história oficial da igreja conta que foi só quando morreu que ele se tornou realmente cristão. Mas nem disso há comprovação histórica.

Postado por: Hedra às 04h00
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Em Nome de Deus Part III

 

Agora, é bem conveniente pôr toda responsabilidade nas costas do Constantino, colocando o  essencial do cristianismo como vítima ingênua e seduzida dos desmandos de um homem com delírios de grandeza. Esse homem foi mais usado do que pôde usar. No final das contas, o ingênuo foi ele, aproveitaram-se de sua ganância para construir um poder político que se perpetuou além do império. Algo assim jamais ocorreria sob os auspícios de imperadores como Adriano, Trajano ou Marco Aurélio. Temos que mudar essa visão de que a igreja foi contaminada pelo império romano. O império é que foi infectado pelo cristianismo e morreu desta doença, mas infelizmente o vírus encontrou outros hospedeiros e sobrevive até hoje, com grande risco se de alastrar por toda a terra e acabar com toda a vida saudável que restou na humanidade.

 

Quanto ao "pão e circo", tenho a dizer que muito do espetáculo foi incentivado pelos próprios padres da igreja em sua ânsia de promover uma propaganda sensacionalista da nova religião e converter os mais impressionáveis. Estes diletos porta-vozes da palavra de deus encorajavam os pobres coitados a imitar o sacrifício da divindade imolada e dar testemunho do poder de sua fé. Ora esse modo de testemunhar se baseia num argumento falacioso; o apelo ao estado de quem argumenta. O fato de sofrer ou até morrer por uma idéia não garante a veracidade da mesma; se assim fosse a ideologia nazista estaria comprovada, pois não foram poucos os alemães que morreram por ela e acreditando nela.

 

Se falarmos em bravura e abnegação, veremos que esses mártires não tinham nada disso. Se realmente tinham fé em tudo que seus presbíteros pregavam; então só estavam agindo de forma interesseira, trocando uma vida, muitas vezes miserável, por outra de abundância e glória no céu, além de acelerar a salvação e eliminar o risco de se desencaminharem durante o resto de vida que pudessem viver. A propaganda cristã sempre privilegiou esse derramamento de sangue inútil e condenou sumariamente os que questionavam o valor destas demonstrações tétricas de fé. Bem antes de Constantino, o conjunto doutrinário da patrística já conduzia a eliminação quase total da primeira das heresias: o gnosticismo; justamente por ir contra o suicídio de pessoas simplórias e de padres vaidosos que desejavam imitar a paixão de cristo. Aos olhos já inquisitoriais dos pais fundadores da santa madre igreja, todos os que defendiam o exercício da escolha eram indignos da “vida” e da “verdade” oferecidos em holocausto pelo cristo, o cordeiro propiciatório.

 

Não quero, com isso, minimizar as perseguições movidas contra os cristãos por imperadores como Nero. Todavia, nem sempre era assim; a regra geral em diversos períodos do império, principalmente na época da patrística até Marco Aurélio, se caracterizava pela convivência pacífica, sem uma repressão organizada e instituída nos poderes do Estado.

 

No quesito justiça, é uma falta de visão histórica nivelar os tribunais romanos e os da santa inquisição. Os romanos, via de regra, se empenhavam em respeitavam suas leis e promover um ideal de justiça, tanto é que o direito romano ainda continua sendo um modelo para a legislação atual. Só ia a julgamento quem era denunciado e denúncias anônimas não eram admitidas, sendo encaradas como um mau exemplo e indigna de um cidadão romano. Nos julgamento, os acusados ficavam livres para desmentir as acusações e, se o fizessem, eram soltos depois de uma simples oferenda aos deuses. Aos obstinados, que insistiam em se declarar com pompa e circunstância a sua condição de cristãos convictos, era dado um tempo para que pensassem melhor, mesmo quando não queriam. Se, ainda assim, não mudassem o teor do discurso; os magistrados romanos, por força da lei, eram obrigados a condená-los. Como demonstra a carta do imperador Trajano aprovando a maneira de tratar a questão de Plínio, o governador da Bitínia (uma província da Ásia Menor):

 

Plínio o Jovem. Epist. X, 97 (resposta de Trajano a Plínio).

 

“Caro [Plínio] Segundo, tens seguido adequado proceder no exame das causas daqueles que te foram denunciados como cristãos (qui christiani ad te dela ti fuerant). Não se pode instituir uma regra geral (in universum aliquid) que tenha o valor de norma fixa Não devem ser perseguidos de oficio (conquirendi non sunt, isto é investigados por iniciativa oficial). Se forem denunciados e confessarem, é preciso condená-los, mas com a seguinte restrição: quem nega ser cristão (qui negaverit se christianum esse) e disso der prova manifesta, a saber, sacrificando a nossos deuses, ainda quando seja suspeito em seu passado, seja perdoado por seu arrependimento (veniam ex paenitentia impetret). Quanto às denúncias anônimas, não devem ter valor em nenhuma acusação, pois constituem um exemplo detestável e não são dignas de nosso tempo.”



Postado por: Hedra às 03h54
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Em Nome de Deus Part IV

Agora, os julgamentos inquisitoriais não davam pelota nem ao direito canônico, não havia nenhuma preocupação em manter um mínimo de imparcialidade ou, pelo menos, de aparentá-la. Os acusados, com poucas exceções,  já chegavam condenados; a tortura não podia ser alegada em juízo como motivo para as confissões, quem defendesse o réu era imediatamente arrolado nos autos como cúmplice ou conivente. E tudo isso era assistido com entusiasmo pela massa irresponsável, a qual muitos inocentam alegando que não tinha culpa direta nos crimes praticados por um grupo da elite do clero.

 

Tentem achar sentido e coerência na aplicação do direito canônico em julgamento como os dos templários e os da santa inquisição. Quanto a esse aspecto cito a conclusão de Geraldo Pieroni em “Banidos”:

 

“É quase inútil buscar uma lógica no sistema da aplicabilidade das penas inquisitoriais. O degredo — uma das penas desse sistema — não escapa a essa regra. A arbitrariedade dos juizes conjuga-se com a disparidade dos direitos, dos costumes e das normas reinantes: por um mesmo tipo de crime o réu poderá sofrer penas bastante diferentes, dependendo das decisões e do arbítrio dos eclesiásticos magistrados dos tribunais inquisitoriais. Independentemente da gravidade de seu crime, a reparação deve ser feita. Ela é desejada pelos cristãos-velhos, ela é cobiçada pelos juizes, que almejam restabelecer a paz social abalada pela heresia dos indesejados. O respaldo maior reside no rei — o juiz supremo.

 

E que reparação é essa tão desejada e cobiçada? Talvez possamos detectar, neste outro trecho do mesmo livro, um dos mais fortes interesses da igreja na condenação dos “hereges”, mesmo que, para isso, tivesse que se valer de denuncias anônimas ou inexistentes, falso testemunhos ou provas inconcludentes:

 

“O Dicionário dos Inquisidores revelava-se suficientemente claro com relação ao confisco do patrimônio dos condenados: os bens do herético são de pleno direito confiscados desde o instante em que o delito é cometido”. O confisco dos bens figurava entre as penas estabelecidas pelas leis civis e eclesiásticas. O imperador Frederico I, em 1220, determinava que “todos os heréticos de ambos os sexos serão considerados infames e espoliados de seus bens, os quais não serão jamais devolvidos e em nenhum caso seus descendentes poderão se beneficiar deles”. O papa Inocente III decretou, em 1199 e 1200, o confisco dos bens dos hereges conforme aquilo que já era definido pelas leis civis. Essas disposições foram reconsideradas em 1225 pelo Concílio de Latrão, durante o pontificado do mesmo papa, e confirmadas, em 1252, por Inocente IV. Na constituição Ad extirpandam, o papa ordenou que os bens confiscados fossem distribuídos em partes iguais: a) para a cidade em que se processou a condenação, b) para a Inquisição do lugar, c) para uma caixa comum do inquisidor e o bispo. Bonifácio VIII, em 1295, declarou na bula Cum secundum leges que os bens dos hereges poderiam, por direito, ser confiscados e proibiu as autoridades temporais de tomarem posse do patrimônio antes que os juizes eclesiásticos tivessem pronunciado as sentenças. Clemente V, em 1306, ordenou que os juizes tomassem cuidado de não confiscar os bens da Igreja quando se tratasse de um clérigo herege.

 

Esse mesmo padrão de comportamento oportunista sempre existiu antes e depois da aproximação com o poder romano. No séc. IV teremos o templo de Cibele transformado na atual basílica de são Pedro e talvez os primeiros heréticos queimados vivos; uma seita de cristãos montanheses que ainda adoravam Cibele e admitiam o sacerdócio de mulheres. Depois da queda do império romano no ocidente (uma oportunidade premeditada?), houve a cooptação dos ditos reis bárbaros. Entre eles o soberano franco Clóvis, cujo fato marcante de sua biografia é a destruição do Reino de Toulouse (419-507) por tropas católicas ao seu comando, o intuito era combater uma versão heretizada do cristianismo, designada por alguns como ‘fides gothica’,  que vinha sendo tolerada entre os visigodos convertidos desde meados do séc. IV. Indo um pouco mais além, encontraremos Carlos Magno com seu revolucionário e democrático método de conversão; ele propunha a seus súditos escolher livremente entre se converterem ou serem decapitados. Isso promovia tanto o crescimento absoluto como o relativo do contingente de católicos na população.”



Postado por: Hedra às 03h51
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Imagens

Uma sirene soa, uma criança chora, a tempestade fecunda o campo,

Olho novamente ao redor, olho para dentro de mim, eu não preciso de esperança,

O futuro se abre diante de mim como um grande portal e lúcida vejo suas águas,

Uma mulher vestida de branco a dançar por um lago congelado.

Tenho estado calada enquanto vislumbro o ápice do amor dos homens,

Eu entenderia perfeitamente bem aquele casal que dança abraçados,

Uma dança ritual, como quem acaba de decidir por uma vida dividida,

Eu sei que estou cantando versos ao vento, mas não me importo agora.

Eu olharei para tudo isso novamente, quando as nuvens se afastarem,

Está tudo branco dando um ar sombrio com a bruma que paira naquele fosso,

Mas, isso também não me importa enquanto danço pelos campos,

Que estão preparando-se para o desabrochar feliz da natureza, há fertilidade aqui.

Do outro lado vejo então um portal dourado, cercado de pequenos seres,

Há grãos de todos os tipos espalhados por toda parte, sinal de abundância,

Isso significaria muito mais do que minha mente pode compreender,

Mas não neste momento, quero agora somente vislumbrar estas imagens.

Um homem se aproxima de mim com gentileza, oferecendo-me flores e seu amor,

Eu olho de modo terno, enquanto deixo a melodia transformar todas as cores do dia,

Isso me deixa de certa forma tranqüila, com pétalas brancas a banhar nosso momento,

E enquanto nos beijamos, os pássaros cantam nas copas das árvores, parece-me primavera.

Minha casa está cercada, há lanças e escudos, eu estou certamente muito protegida,

Mesmo com o coração angustiado pela batalha que me mostra o horizonte,

Sinto que eu só preciso descansar um pouco para entender melhor o que a vitória me significa,

Eu entenderia isso muito melhor se hoje fosse outro dia, mas isso não adiantaria também.

Então eu me sento numa pedra a beira mar e deixo todos os seres aquáticos me mostrarem suas cores,

Eu estou sonolenta, eu estou querendo ver um pouco além do que mostra a cama do senhor dos mares,

Então num êxtase de cores sortidas, eu deixo que minha alma vague pelos planetas ao redor do sol,

E não estou simplesmente imaginando coisas, eu estou um pouco além disso tudo que sinto, não tente entender!



Postado por: Hedra às 23h37
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Kaos Aterkomst

Kaos Återkomst

Sprungen ur kosmos I dans
Samvetslös men dömd
Innan liv här blott mörker fanns
Din kraft till synes gömd

Din njorde skola blomstra I prakt
På din väg mot undergång
Snart du sänkas I dödens makt
En stämma I din banesång

För evigt jag förnimma ditt fjät
Formad utav tidens rand
Nornor skrek och gudar grät
När du slets ur min hand

Ett folk till att skapa
Att hedra hem och bygd
Blott en niding att försaka
Misstro mot vår dygd

Skalder må dig följa
På din väg mot undergång
Härskare sin avsikt dölja
En stämma I din banesång

 

O RETORNO DO CAOS

Surgido do cosmos na dança
Inconsciente mas condenado
Antes da vida aqui havia apenas escuridão
Tua força oculta (lit.: "escondida da vista")

Teu "njorde "(Deus dos Mares) deveria florescer majestosamente
No teu caminho rumo à aniquilação
Em breve tu afundarás na força da morte
Uma voz em teu réquiem

Para sempre perceberei teu passo
Formado além dos limites do tempo
As Norns (criaturas da mitologia nórdica que teciam o destino das pessoas) gritaram e os deuses choraram
Quando tu alisaste minha mão

Ainda um povo a criar
Para honrar lar e construção
Um mísero infame a ser evitado
Suspeita contra nossa virtude

Que os poetas te sigam
No teu caminho rumo à aniquilação
O líder esconde sua intenção
Uma voz em teu réquiem

 

Tradução de Guilherme Braga.

 



Postado por: Hedra às 23h24
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