
Diante de tanta imensidão, de tantas estrelas, planetas e satélites, me senti tão pequena,
Senti-me tão fútil, tão miserável e tão mesquinha, que me questionei como poderia ser possível,
Como seria possível ter toda esta imensidão ao meu favor diante de um ato de vontade,
Como poderia o universo conspirar por algo tão pequeno como eu?
Então me aventurei por meus livros e fui parar em eras tão distantes, da qual nós pouco sabemos sobre,
E a senti tão próxima de mim, como se todos aqueles, povos, deuses e culturas, num todo estivessem dentro de mim,
E talvez neste momento eu tenha reconhecido minha própria força e minha própria grandiosidade,
Que não deve ser diferente dos demais de minha espécie.
Por um único momento me senti tão pequena e no mesmo instante tão gigante,
Senti-me tão frágil e delicada, ao mesmo que forte e terrível e talvez somente agora eu tenho entendido,
Entendido tudo o que já me foi dito, tudo o que já afirmei sem estar tão certa sobre,
Como se agora toda a sincronia e harmonia, toda a desarmonia e imperfeições estivessem em perfeita ordem.
Eu sei que isso não é novo, também não é para mim, mas estou tão impressionada com minha viagem,
Tão impressionada com tudo o que pude visualizar e sentir, que não conseguiria deitar em minha cama sem antes perder meu tempo com algumas linhas,
Eu me sinto tão ligada a tudo isso, que por um momento questiono minha individualidade,
E em questão de segundos, sinto um orgulho imenso de ser uma pequena estrela a agarrar-se nesta enorme teia,
Influenciando com minha gravitação todo o movimento do universo e estou extasiada com isso,
E estou apaixonada por esta visão... Estou tão longe e tão íntima de meu ser e tão íntima de tudo isso.
É ridículo como perdemos nosso tempo entrando num transe rotineiro, seguindo nossos passos do mesmo modo que fizemos ontem,
É ridículo vender sentimentos e pensamentos quando encontramos imensidão maior em cada ser desta terra, em cada lugar do universo,
É irônico como somos capazes de nos curvar a deuses tão pequenos e acreditar que nossas vidas estão em suas mãos,
Uma pequena visão, um simples imaginar do que seja o universo já confrontaria todas as nossas crenças.
E se eu estivesse diante de um balcão num bar neste momento, bateria meu copo sobre o mesmo e daria uma longa gargalhada,
E se eu estivesse sentada diante do mar neste instante, eu choraria como jamais tivera chorado antes,
E se eu estivesse diante de alguma pessoa amada, lhe daria um longo abraço e me orgulharia tanto a ponto de desabar em emoções.
Eu não saberia colocar qualquer coisa aqui em forma matemática, ou astronômica, ou histórica, ou mesmo metafísica,
Eu não saberia lhe dizer nada precisamente, não saberia lhe afirmar nada cientificamente,
Não nasci para calcular, ou para tornar coisas tão compreensíveis, não nasci para dar precisão,
Eu simplesmente sinto e nasci para sentir, nasci para observar, para fantasiar, para ser o que sou,
E mesmo não sendo tão surpreendente, mesmo não sendo tão grandiosa, famosa ou renomada,
Eu estou perfeitamente em ordem com tudo isso, eu estou perfeitamente em minha órbita, fazendo minha parte.
E senti um sentimento tão profundo com relação a nossa espécie, espécie tão agraciada e tão frustrada,
Um sentimento tão forte, tão compreensivo e tão humano... Como se por um único momento todos os deuses e todos os povos, estivessem dançando dentro de mim.
E lágrimas rolam pela minha face emocionada, estou tão surpresa e aterrorizada, estou gritando em silêncio,
E tão inconformada com nossa mania de perder nosso tempo com coisas tolas, nossa mania de sofrer tanto por coisas inúteis.
Cada pessoa é tão maior que isso, cada um de nós temos tanta força e poder para fazer diferente e pensar diferente,
Pena que o que seria de grande importância para todos, seja tão enganosamente indiferente.

Eu estou tão cansada de pensamentos, estou tão cansada de acreditar que as pessoas podem ser diferentes,
Enquanto o tempo vai passando, vou desacreditando ainda mais disso, não tenho qualquer esperança,
Acho que todas as pessoas são nada e dessa maneira devem ser tratadas como nada,
E sinto que eu devo estar triste, sinto que eu devo estar desapontada.
E me vejo mais uma vez gritando para calar o choro e talvez eu quisesse te dizer como isso me machuca,
E eu quebrava todas as coisas que eu segurava, eu quebrava tudo como que se quisesse dizer que estava ferida,
E talvez se eu tivesse quebrado todas as coisas novamente, eu me sentiria muito melhor,
E se mais uma vez eu tivesse gritado, se eu tivesse quebrado algum objeto em sua cabeça, eu estaria legal agora.
Eu não sei como ainda me importo, não entendo o que ainda me mantém tão apegada a esta dor,
E eu não compreendo porque raio hoje não foi o meu melhor dia, e não compreendo porque não tenho dias melhores,
E talvez seja eu que esteja triste, e talvez seja simplesmente eu a única desapontada,
E penso em quem é que leria esta porcaria toda, quando eu insisto simplesmente em reclamar?
Sinto que estou triste pela minha indiferença, estou triste por saber que eu sempre soube,
Estou cansada de estar sempre certa, de não estar surpresa com toda esta desgraça, como que se eu fosse parte dela,
Talvez eu só quisesse alguém para jogar a culpa, talvez meus pensamentos poderiam ser completamente diferentes e opostos,
Talvez seja somente falta de um sorriso, de um “sim”, de um “ficará tudo bem” ou seja só minha TPM.
Se evolução, preferia continuar pequena, se é solidão, preferia continuar acompanhada,
Se explicação falta, preferia permanecer na dúvida, se é repulsão eu poderia não ter atraído,
E talvez tudo se resolva quando eu apagar meu cigarro, talvez resolva se eu te surpreender,
Seria mais fácil se eu não pensasse em nada disso, estaria tudo resolvido se eu esquecesse.
Já não sei se isso realmente me afeta ou se simples falta de controle,
Não sei se hoje eu lhe amaria, ou se odiaria, se eu desejaria ou se tanto faz,
E talvez se hoje eu estivesse morta, se eu estivesse no outro mundo, não iria me surpreender.
Isso é irônico, não acha?

Sabe aqueles momentos em que temos certeza de que estamos fazendo tudo certo, que agimos de maneira coerente e notamos que estamos no lugar errado?... Fazendo tudo certo no lugar errado! Tenho me sentido assim, ao decorrer dos dias, vou passando por tantos momentos e avaliações, que não sei bem se estou crescendo ou regredindo. Então você olha ao redor e nota que as pessoas com quem você tem mantido contato há alguns bons meses e/ou anos, não possuem valores semelhantes aos seus, então você olha ao redor e se identifica com o grupo ao lado e nota que tem agido como o grupo ao lado o tempo todo, mas se manteve naquele porque possuía uma crença completamente antagônica e deturpada de seu grupo e de si mesmo, que enquanto você procurava tornar-se grande, deus e humano, aquelas pessoas ao seu lado estavam somente pensando em se promover, em ter alguns poucos lambendo seus traseiros.
Espera! Sou uma serpente, porém tenho meus valores, valores de vida, de terra e até mesmo meu veneno serve para a cura. Tudo bem, posso estar enganada, posso estar pensando errado em tudo isso, posso simplesmente estar trocando minha pele, mas nem assim deixando de sentir que sou um peixe fora d’água. Um peixe nadando em óleo.
Os últimos acontecimentos de minha vida tem me feito reavaliar muitas coisas, tantas coisas que eu tenho estado assustada com tantos valores que não via e com tantas discrepâncias, ainda tenho me assustado um pouco mais, ao descobrir valores que não havia sequer notado antes e que como num passe de mágica tornaram-se grandes e visíveis. Não falo de valores morais, mesmo que se eu dissesse em moralidade (como concebemos em termos religiosos) meus amigos ririam muito de mim, porém falo de valores pessoais, meus próprios valores, não valores que meus pais tentaram enfiar na minha cabeça, ou em valores que a sociedade também tentou enfiar goela abaixo.
Que lindo! Eu possuo valores, valores pelos quais quero lutar, pelos quais as coisas, as pessoas e também muito de meu caminho fazem sentido, como se eu tivesse uma missão de fazer valer e realizar aqui neste reino tudo o que se relaciona com meus valores. Desta forma, também consigo reconhecer pessoas que eu não havia notado antes, também posso selecionar de modo conciso todas aquelas pessoas que realmente me fazem bem e que me auxiliam em minha missão, em meu caminho.
Sinto como se portas abrissem mostrando toda a riqueza de algo que vai muito além do que eu pudesse descrever nestas linhas, não é o fato de simplesmente ter notado alguns valores, mas o ato de pensar na vida de modo diferente, como que se eu estivesse realmente em harmonia com algo muito maior, que afagos e carinhos são pobres demais para a riqueza que muitas pessoas, energias e ancestralidade estão nos mostrando e oferecendo. Um afago no ego é realmente muito bom, mas um afago da vida, ou mesmo um tapa no rosto bem dado que nos faz despertar para algo maior dentro de nós mesmos, nos torna os melhores!
Prefiro ser uma andarilha, a ter direções e ser mesquinha e pobre de atitudes. Eu não quero estar no topo, quero ser forte suficiente para subir em qualquer morro; não quero percorrer um caminho, quero ter opções de caminhos variados para poder escolher e experimentar vários; eu não quero ser aceita, quero poder girar e dançar como pomba-gira vestida de vermelho, sentindo os prazeres da vida. Eu quero filosofia, eu quero amor e quero vida. Não quero ser famosa e nem conhecida, quero simplesmente viver a minha vida, com magia, com alegria e mostrando quanto são lindas as matizes que formam meu ser.

Mais uma música do Linkin para meu momento atual, na hora que você ver vai notar que meu pensamento sobre você é justamente o que diz a letra desta música...
Linkin Park - Hit The Floor (tradução)
by Linkin Park
Há tantasVezes que as pessoasTentaram olhar para dentro de mimPerguntando o que penso de vocêE te protegi por cortesiaTantas vezes euFiquei quando precisava irCom medo de dizer o que tinha em menteCom medo de dizer o que precisava dizerTantasCoisas que você disse sobre mimQuando não estou por pertoVocê acha que por estar por cimaSignifica que você tem que me derrubarTive muitas coisas com vocêIsso é sobre o quanto consigo agüentarApenas espere quando quem estiver por cimaFor eu Tantas pessoas que gostam de mimConfiam tanto em suas mentirasTão preocupadas com o que você pensaApenas para dizer o que sentimosTantas pessoas que gostam de mimCaminham em cascas de ovos o dia inteiroTudo o que sei é que tudo o que queroÉ sentir que não estou paradoHá tantas coisas que você dizQue me fazem sentir que você cruzou a linhaO que sobe com certeza vai cair
E estou contando o tempo
Em um minuto você está no topoNo seguinte não estáObserve isso derrubarFazendo seu coração pararAntes de você tocar o chãoEm um minuto você está no topoNo seguinte não estáFalta sua tentativaFazendo seu coração pararVocê acha que ganhouE então está tudo acabado Sei que nunca confiarei em nada que você disserVocê sabia que suas mentiras nos dividiriamMas você mentiu mesmo assimE todas as mentiras te fizeram boiarPor cima de nósMas o que sobe tem que cair

Esta é uma das músicas que descrevem um pouco dos meus sentimentos neste momento, esta vai em especial para uma pessoa que ao ver vai notar que falo com ela... "Mania impiedosa esta minha de fingir que sou normal"...
Linkin Park - Don't Stay (tradução)
Não Fique Ás vezes euPreciso lembrar para respirarÁs vezes euPreciso que você fique longe de mimÀs vezesNão creio que eu não sabiaDe alguma maneiraPreciso que você váÀs vezes euAcho que confiei demais em vocêÀs vezes euSomente sinto como se estivesse gritando para mimÀs vezesNão creio que eu não sabiaDe alguma maneiraPreciso ficar sozinho Não fiqueEsqueça nossas recordaçõesEsqueça nossas possibilidadesNo que você estava me transformando[apenas devolva meu "eu" e]Não fiqueEsqueça nossas recordaçõesEsqueça nossas possibilidades[apenas devolva meu "eu" e]Não fique Eu não preciso mais de vocêEu não quero ser ignoradoEu não preciso de mais um diaPara você desperdiçar Sem desculpas

Após tanto tempo, tanto tempo longe deste lugar que sempre belo, tornou-se hediondo aos meus olhos,
Oh grande senhor das moradas desertas de meus sonhos, senhor que ao meu lado foi soberano, que ao meu lado perdeu um terço de seu sangue,
Sei que não entenderia qualquer pensamento meu, sua simplicidade de pensamentos não o deixaria compreender minha sublimidade
Sua submissão me encantava, sua inferioridade me dava conforto, sua modéstia construía meu orgulho, temo sentir falta disso!
Meus sentidos não o alcançam, minha raiva não lhe permite aproximar-se, meu olhar o afasta com agressividade,
Eu tenho pensado neste lugar, tenho fugido e estado aqui o tempo todo, tenho mentido e não faltando com a verdade,
Acho que não entende, acredito que jamais entenderá tudo isso, eu sinto que seu amor tem me tornado desprezível,
Lamento por não poder dar-lhe o que deseja, lamento estar tão acima de você, lamento por estar pensando em você e em seu maldito amor.
Nem que eu usasse as palavras mais singelas, nem que eu usasse de forma clara sua descrição, não entenderia estas linhas,
Tenho me cansado disso também, tenho me cansado da forma que vem me atingindo, tenho me cansado de estar em seu olhar,
Tenho desprezado você, eu sinto por isso, desejei em minha alma que isso fosse diferente, mas estou machucada,
Seu amor tem me mutilado, seu ciúme proporciona grandes feridas em meu corpo, tem me desejado como prato principal de sua mesa,
Estou farta disso, estou farta de tanta mediocridade, farta da sua pobreza, de sua alma imunda.
Como um inquisidor tem me condenado á fogueira em nome do seu mísero amor, eu sinto as chamas lamberem meu corpo,
Eu tenho me reservado, tenho mantido a calma e o controle, tenho fingido que não estou afetada, que não estou irritada,
Tenho por tanto tempo esquecido deste lugar, tenho sentido afundar nestas lamas...
Deixe-me quieta por um momento, deixe-me observar bem sua zona, deixe-me em paz por um longo tempo,
Eu preciso pensar!
Preciso entender e enxergar o que tenho lhe feito, tenho que entender minha maldade, seguindo assim o conselho do velho sábio,
Eu tenho me calado, permanecerei silenciosa, até que tenha a melhor estratégia, até que eu tenha a melhor coisa a fazer...

Estou correndo em labirintos lamacentos e escuros, eu estou ouvindo gritos que não são meus,
Sinto-me enlouquecida com arco-íris a colorir a escuridão deste lugar, com perfume de jasmim a esconder estes fétidos odores,
Por todos os lados que olho vejo somente putrefação, para todos os sonhos que bordo vejo somente solidão,
Eu sei que encontrarei a cura de todas estas feridas, eu sei que a saída está logo adiante, eu sinto medo, mas ainda tenho...
Talvez se eu tivesse dito todas as palavras corretas que expressassem o que eu realmente queria dizer,
Talvez se eu tivesse me escondido de modo que te fosse de grande dificuldade encontrar-me,
Talvez se eu tivesse sido suficientemente sincera para comigo mesma e deixasse estas sombras me escapar,
Talvez se eu fosse mais lúcida nos momentos em que me pediam controle e observação, eu estivesse em outro lugar agora.
Há seres no deserto que percorro, há espíritos ruins por todas as partes, há areia e tempestade e tenho sede,
Há sonhos quentes no deserto, livro-me de todas as peças de roupas que sufocam meu corpo, espalho-as pelo caminho,
É uma miragem, é um som, um som de água que invadi meus ouvidos, é o som de todas as vozes daqueles que morreram aqui,
O sol está muito quente, os sonhos estão apagados pelo calor, meu coração está embriagado de desejos, de desejos, meu amigo.
Estou delirando...
A noite cai fria, escuto o ruído do mar que toca meus pés suavemente, com o luar a beijar meu corpo,
Minhas vestes brancas evidenciando a pureza que carrego em todos estes sentimentos descontrolados,
A areia a tocar-me com leveza, com a leveza que tinha suas mãos, ao passear por todas as curvas, por todas as ondulações,
Está tão perto que posso ouvir sua respiração, está tão próximo que sinto o calor que mantém vivo seu corpo.
Este silêncio pesa sobre meu corpo esticado sobre a areia, pesa tanto á faltar ar em meus pulmões, eu não consigo respirar,
Desejo que gritos cortasse friamente a dormência que instala em meus membros, desejo que deuses dancem ao redor,
Mas eles levaram o que havia de melhor em mim, eles jogam dados com minha vida e eu estou esticada a silenciar-me
Morte a mim e aos meus sonhos, morte aos desejos que me perturbaram no deserto, morte ao que concebo vida.
Cale-se alma que carrega em essência o segredo, cale-se alma que entende tudo o que meu corpo pede,
Apague-se chama que teima a acender-se quando deveria iluminar os meus sonhos, inexistente ilusão,
Clama-me, chama-me em teu leito, por um momento me rendo e calo-me em seguida e te evito a não despertar desejos,
Pinto quadros multicores, esculpindo sua imagem em mármore, sincera no desejo do que concebemos amizade, eterno confidente.
Fantasmas dançam ao redor de mim, celebrando-me como se eu fosse o sacrifício aos deuses,
Estes fantasmas me remetem a toda a confusão que se instala em minha mente, como ventos tempestuosos dentro de minha cabeça,
Eu sinto meu corpo quente, desejoso do seu, sinto meu coração batendo ardentemente com chamas de perversão.
Como posso meu amigo, amar-te como um irmão e deseja-lo veementemente em minha cama?

Veja, estou num barco, um enorme barco, lindo e iluminado, que me leva para qualquer lugar,
Não me faria qualquer diferença a margem em que ele atracasse, eu não teria qualquer espectativa.
A noite a pintar estrelas multiformes no céu, as quais conto deitada no convés,
Meus olhos perdem-se no infinito negro e não me sinto irritadiça por isso.
Ao longe um belo moço a tocar melodias alegres num violão, que me entristecem de alguma forma
Sua voz afinada me parece saudosa, acho que todos estamos saudosos aqui neste barco,
Acho que estamos todos cansados deste barco e com amargura ele canta a maldita melodia,
E com choro eu me levanto, estamos cansados do barco, estamos saudosos e não sabemos para onde vamos.
Tento me esquecer disso por um momento e olho o reflexo do luar nas águas negras tingidas pela noite,
E eu sinto o vento batendo em meu rosto e por um momento, um único momento penso que não me importo,
Olho novamente para o violonista e sua maldita música e tento entender o que é que ele quer com isso,
Eu canto a melodia conhecida e penso o que é que eu quero com isso?
Estou entediada, eu sei, acredito que todos nós estamos, todos nós que entramos neste maldito barco,
Rumo a lugar algum... Olho o vai-e-vem da tripulação, o comandante com olhos de quem sabe das coisas,
Mas admito que ele também não sabe para onde segue e sei que ele também está cansado desta maldita melodia,
E estamos todos cansados deste ruído branco e estamos sonhando com uma terra desconhecida e adormeço.
Acho que estou salva nos sonhos, o encanto, enfim pisando em terra firme, gramas frescas e molhadas sob meus pés,
No céu pássaros em seus vôos, uma mulher tecendo e um homem arando a terra... Fundo demais...
Despenco em um abismo escuro demais para que eu pudesse descrever e caio num mundo mais mágico ainda,
Eu estou descendo, eu estou afundando, eu estou enlouquecendo, eu não estou amando.
Algo amortece minha queda, mantenho meus olhos firmemente fechados, temo o que posso encontrar (acho que sinto falta do barco)
Há lobos correndo para todas as direções, saindo de todos os cantos e há serpentes sobre mim, milhares delas, eu sinto medo...
Acho que quero gritar, mas prefiro me manter imóvel! Elas passam sobre mim, escuto seus ruídos, estou amendrontada...
Eu só queria me curar, eu estava desejando tantas coisas, eu estava sendo tão sincera, eu estava tão calada...
Eu somente desejo me curar, estou com tanto medo, tenho tanto medo de sentir me bem, tenho medo destas serpentes!
Alguém segura firmemente em minhas mãos, agarro-me a este braço com toda a força que possuo, sinto suas mãos fortes
Mas, meus olhos continuam fechados, temo novamente, temo aquele que me tira das serpentes, eu sinto medo...
Sinto-me aconchegada em braços tão calorosos, sinto-me sonolenta em braços tão macios, sinto desejos nestes braços,
Abro vagarosamente meus olhos e sou brindada com beijos quentes e suaves, algo desperta dentro de mim e ouço a melodia...
E novamente estou no barco e a melodia que ouço é a mesma que ouvia alguns minutos atrás e o maldito a tocando,
Olho ao redor procurando aquele que me beijou tão apaixonadamente, aquele que me acalentou quando sentia medo,
Tristemente fecho meus olhos e entendo que sonhei, entendo que tenho sonhado todo o tempo que estive neste maldito barco,
Levanto-me num salto, determinada a tomar do violonista o violão, estou verdadeiramente irritada agora, mas sou paralizada novamente,
Alguém segura-me pela mão, como se soubesse de minhas cruéis intenções, viro-me e a chama do que concebemos como vida brilha em mim,
Noto bem aqueles olhos, reconheço fielmente aquela mão, sorrio, sinto me acalentada e não estou sonhando...
.
.
.
.
.
.
.
.
Ou não...
|
BRASIL
,
Sudeste
,
SANTO ANDRE
,
Mulher
,
de 20 a 25 anos
,
Música
,
Livros
,
Magia e Ocultismo
MSN - hedra_babalon@hotmail.com |